Gestação gemelar e a síndrome da transfusão feto-fetal

Gestação gemelar e a síndrome da transfusão feto-fetal

A Síndrome de transfusão feto-fetal é uma complicação grave da gestação gemelar monocoriônica.

As gestações gemelares monocoriônicas são aquelas que os fetos compartilham a mesma placenta e, como há comunicações (anastomoses) entre os vasos da placenta, as circulações dos dois fetos entram em contato. Estas anastomoses podem acontecer entre as veias, entre as artérias ou entre as artérias e veias. 

Em cerca de 10-30% das gestações monocoriônicas há um desequilíbrio na troca sanguínea entre os gêmeos através das anastomoses mencionadas, o que permite o desenvolvimento de uma condição clínica conhecida como síndrome de transfusão feto-fetal. Nesta situação, há um feto denominado feto doador que acaba por “doar sangue” para o outro feto denominado feto receptor, basicamente através das anastomoses artério-venosas.

O feto doador pode ficar anêmico e consequentemente urina menos, o que leva a uma diminuição do líquido amniótico (oligohidrâmnio). O feto receptor pode apresentar aumento do volume sanguíneo (policitemia) desenvolvendo aumento do volume de líquido amniótico (polidramnio).

O tratamento vai depender do estágio da transfusão, o qual deve ser avaliado por um especialista em Medicina Fetal, e encaminhado para centro de referência. A ablação a laser dos vasos placentários é a melhor opção terapêutica em casos de síndrome de transfusão feto fetal grave. Consiste na oclusão dos vasos da placenta com o uso do laser, através de uma mínima incisão por onde é introduzido um fetoscópio (pequena câmera).

É muito importante acompanhar a gestação monocoriônica a cada 2 semanas, a partir de 16 semanas. Esse cuidado permite uma redução na frequência de encaminhamentos tardios para os centros de referência, quando pouco pode ser feito para a gestante.